A convite do João, fiz a formação da Mesa Radiônica Quântica Azul no último fim de semana de julho. Foi uma espécie de gentileza dele e, eu, por aceitar a intenção, acatei. Confesso que fui sem nenhuma expectativa. O que, de certa forma, me ampliou o campo de visão. Estava livre do pré-julgamento. O aprendizado começa em aceitar uma formação. Fazia muito tempo que não participava de nenhuma. Porque a formação já começa pela experiência de se colocar num grupo. Nunca sabemos exatamente como será. Quem são as pessoas que iremos encontrar? Qual será a dinâmica utilizada? Teremos acesso a quais informações? Eram apenas essas as minhas questões no sábado de manhã. Mas, confesso que a palavra radiônica me deixava bastante confusa. Algumas vezes tentei pronunciar em voz alta e não tinha certeza se era radiônica ou radiofônica. O que aumentava ainda mais a falta de entendimento sobre o tema. A minha experiência de vida me colocou num lugar de querer primeiro sentir, para depois entender. Pelo simples fato de ser jornalista, já pesquisei muito sobre situações, pessoas, histórias, temas, causas, fatos. E, por mais que quisesse ser imparcial nas minhas reportagens ou matérias jornalísticas, já saia da redação com uma ideia formada sobre a pauta. Era necessário ter conhecimento prévio a respeito. Agora, tento fazer o contrário. O que apenas significa que é um privilégio sentir antes de querer catalogar. Isso tem me permitido estar diante de novas possibilidades também de um jeito novo. Me causa alívio abrir a oportunidade para o novo. Éramos um grupo pequeno nesta formação que ocupou o sábado e o domingo praticamente inteiros. Conheci três pessoas que se não tivessem me sido apresentadas ali, daquele modo, talvez passassem despercebidas. O que teria sido uma grande pena, porque gostei muito delas. Nossa interação se resumiu a intervalos de conversa entre uma pausa e outra e durante os dois almoços em que nos acompanhamos. Mas aos nos despedirmos, no fim da tarde de domingo, sentia um carinho legítimo por cada uma delas. Tanto que nos despedimos com a promessa de nos voltar a ver. Só por isso já teria valido a pena. Só por isso já teria motivos para querer contar. Mas a verdade é que estávamos ali para saber sobre a tal mesa. Num primeiro momento, pensei que poderia ter acesso a uma série de informações muito complexas. Que não teria interesse. Também cheguei a pensar que teria dificuldades para manusear o pêndulo ou compreender as ferramentas a partir dele. Mas na medida em que o João avançava com a formação, ia começando a perceber que estava diante de uma oportunidade ímpar de ter acesso a um conjunto de informações que poderiam alterar a minha própria realidade. Era como se eu estivesse sendo apresentada a uma fatia de mim que jamais conheceria se não estivesse diante desta ferramenta que é a mesa radiônica. Assim como quem termina uma conta de matemática e chega ao resultado esperado de forma inusitada, também eu saí desta formação com a sensação de que poderia operar a mesa radiônica. Parece complicado, mas eu consigo. Essa foi a minha frase. Isso não quer dizer que não tinha dúvidas. Aliás, saí da formação cheinha delas. A começar pela ansiedade de operar a mesa da forma correta. Pelo receio de ser mesmo capaz de me tornar uma operadora. Se saberia fazer as perguntas ou intenções corretas para o melhor benefício deste, digamos, acesso. Mas a mesa é muito intuitiva. Acho mesmo que cada um vai encontrando o seu jeito de estar em contato com ela. E, isso vai acontecendo também na medida em que vamos treinando. É na prática que vamos compreendendo como o processo funciona. E o fato é que apesar de ser muito extenso, é mesmo simples. Nesta última semana, criei um novo hábito na minha vida. Não foi intencional. Comecei todos os dias que se seguiram à formação abrindo a mesa para mim. Imaginando a intenção para cada abertura. Entendendo se era possível abrir para determinado motivo ou não. Compreendendo os limites e a falta deles, também. E, quando digo falta, é porque há muito o que ser explorado nos incontáveis benefícios que a mesa radiônica proporciona. É bom estar diante de uma coisa nova e tão poderosa. Também eu me sinto muito melhor. Como se já começasse a mexer em estruturas mentais e emocionais que vão mesmo solicitando que eu me despeça delas. Como se eu pudesse deixar muito do passado para trás para respirar em direção ao novo. No meu agora, me sinto mais viva. Mais pulsante. Com mais energia para as minhas funções e atividades. E esta sensação gera na minha rotina muito mais assertividade. Decidi compartilhar esta experiência porque foi uma descoberta incrível para mim. E porque gosto de conversar através de palavras. O que tenho sentido, – e muito do que digo se dá por contas das inúmeras conversas que tenho tido com o João – é que há muita dúvida sobre este assunto. Muita pergunta que precisa ser compreendida para que as pessoas tenham acesso a instrumentos de cura. Sejam eles quais forem. Agora a pouco, inclusive, conversávamos sobre a dor ser necessária, mas sobre o sofrimento ser opcional. E foi por conta desta constatação que senti vontade de escrever. Quantas vezes nos prendemos ao sofrimento e ficamos mesmo presos em padrões mentais ou emocionais apenas desnecessários? Qual é a pessoa que, ao sentir a menor possibilidade de alívio opta por continuar sofrendo? De onde vem esse peso? Sei que ainda sou nova por aqui, mas a minha necessidade latente de autoconhecimento me trouxe a Portugal, me colocou em contato com o João e me mostrou o projeto Bhumi como uma nova oportunidade de trabalho. Um trabalho que acaba não sendo um fardo. Um trabalho que desenvolvo com a total consciência de que é o que quero fazer. É uma forma de me livrar de um velho padrão mental de que precisa ser outro o caminho. Que não pode ser aquele que acreditamos simplesmente porque a vida é difícil ou complicada. Às vezes temos uma lista tão grande de desejos, de vontades que queremos realizar que não percebemos que virar uma ou outra chave pode desencadear uma forma totalmente nova de ver e sentir a vida. Muito do que julgamos necessitar acaba não sendo mais necessário. Outras necessidades chegam, mas elas são mais leves. Aliás, se não me engano, comecei este texto falando sobre a maravilhosa possibilidade de sentir. Quando sentimos, por exemplo, carinho por alguém que acabamos de conhecer, podemos até mesmo querer entender os motivos, mas é muito melhor se fixar na sensação boa que é a empatia do que querer catalogar as razões. Quero dizer que para se abrir ao novo basta uma permissão, que é sempre nova e nossa. E, muitas vezes, o novo se descortina como alívio. Como um caminho antes inimaginável, mas que torna a nossa vida mais vibrante. Então, é gratificante ter dito o sim. Poderia ter voltado para casa feliz pela oportunidade, mas sem nenhuma outra grande identificação. Felizmente não foi assim. Mas independente do resultado, a gente só sabe se vai se identificar ou não se nos permitimos o acesso. Por isso, este texto é um pouco para contar, outro tanto para agradecer. Agosto começa com novas perspectivas. E, ironicamente ou não, muitas delas estão associadas ao conhecimento adquirido através da mesa radiônica.

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