Sim, medita e diz adeus à terapia.

Talvez nunca tenhas feito terapia ou talvez já tenhas gasto centenas e centenas de euros em terapias. O objectivo primordial da terapia é ajudar o individuo a transformar-se, suportá-lo na dor e provocar mudanças nos padrões repetitivos e nas crenças obsoletas.

Na meditação tudo isso acontece. Se existe algum objectivo na meditação é apenas do reconhecimento do que É e de tudo aquilo que não É.

Passo a explicar..

Na meditação consegues experienciar a parte de ti que foi, é e sempre será livre de todos os condicionamentos mundanos como memórias, traumas, emoções reprimidas ou qualquer outra questão difícil que possamos ter na nossa vida.

Aqui não existem técnicas nem objectivos. (Não?!) Humm, acompanha-me…

Para meditares não necessitas de fazer rigorosamente nada. Não há nada a acrescentar, nada para modificar nem nada para fazer quando te decides sentar somente contigo, imóvel, no silêncio. Somente deixar tudo ser como é, como se apresenta.

A “parte de ti” que foi, é e sempre será livre existe em ti, co-habita com o Eu Individual que também és, nesse corpo. Então, se essa parte de ti que é livre sempre existiu, o que devemos fazer para acedermos a ela conscientemente?

É simples…. não há nada para fazer, apenas estar presente vezes e vezes sem fim até que as divagações da mente se dissipem.

Com uma prática meditativa regular bem enraizada numa postura neutra, desinteressada e equânime, conseguirás entrar em contacto com as queimaduras e cicatrizes que foste adquirindo ao longo da tua vida e assim te libertares delas. Como se faz? É simples… Não há nada para fazer.

Se abraçares uma postura desinteressada em relação a tudo o que existe, quando estás imóvel e em silêncio, relacionado com o teu passado ou a ideia que tens sobre o teu futuro, tudo vai começar a desaparecer. O conteúdo da tua mente só não muda ou desaparece porque tu o alimentas constantemente no teu dia-a-dia. Agora imagina… todos os dias, uns minutinhos por dia, onde tu mudas totalmente o teu registo: é um tempo que escolhes dedicar somente a ti.

Nota: dedicares um tempo só para ti, é mesmo um tempo só para ti. Este não é o momento indicado para dares atenção aos teus traumas, memórias, dores, emoções, crenças, bloqueios, perdas ou limitações. Este silêncio é teu, é para ti e para mais nada ou ninguém.

Percebes a importância da regularidade da meditação na tua vida, na minha e na do resto do mundo?! Consegues imaginar o impacto se apenas 10% do mundo meditasse, todos os dias?

Quando tudo aquilo que referi atrás te surge na meditação, sabes o que deves fazer? Nada. Uma vez mais, não há nada para fazer.

Apenas aceita. Aceita que esse conteúdo te é apresentado quando estás imóvel e em silêncio. Aceita a tua experiência, não a julgues nem te julgues a ti. Não cries rótulos (se é bom ou mau), abdica de teres uma opinião sobre o assunto. Parece cliché mas… Sempre que tu rótulas uma experiência, sempre que assumes uma postura de “gosto ou não gosto” perante uma experiência, estás preso/a no processo de te identificares com a experiência como se fosse real, como se fosse tua, como se fizesse parte de ti, como se fosses tu.

Então aqui avançamos para uma nova fase: meditar não é fugir do mau e do desagradável para tentar abraçar o bom e o agradável! Nada disso!! Em primeiro lugar, a tua mente vai tentar afastar-te do Ser Livre que És através de experiências desagradáveis, soltando todos os “bichos” que decidiste ir alimentando no decorrer da tua vida. Em seguida, vai seduzir-te e tentar-te com experiências extremamente agradáveis com um único objectivo: reprimir a manifestação dessa parte de ti que é, foi e sempre será livre.

Consegues entender isto? Percebes a dinâmica desta proposta?

Medita e diz adeus à terapia. Isto não significa que serás totalmente independente e que nunca mais terás a necessidade de te partilhar, de gerar mudança em ti e de te envolveres com outras pessoas no que diz respeito ao teu processo evolutivo.

Mas sente comigo… onde e como estarás tu daqui a 3 meses se começares hoje a meditar uns 30 minutos por dia, todos os dias, com esta postura neutra e desinteressada? Estarás como estás hoje? Honestamente, sinto que isso é impossível!

O silêncio vai proporcionar-te conteúdo mental relacionado com a tua história; a postura desinteressada e neutra faz de ti livre dessas queimaduras e cicatrizes que a vida te proporcionou. E essa liberdade, o que farás com ela? Ficarás no mesmo registo onde te encontras hoje? Uma vez mais, é impossível, confia!

E por isso eu dedico parte do meu trabalho a proporcionar momentos meditativos às pessoas que me chegam, por isso escrevo sobre isto, por isso faço livros digitais, audiobooks e cursos de meditação. E faço isto enquanto desempenho a função de terapeuta. Parece um paradoxo, mas não é.

Com a meditação atinjo aqueles que querem assumir a todo custo a responsabilidade pela sua felicidade enquanto que com a terapia atinjo todas aquelas pessoas que estão a iniciar o seu processo individual de responsabilização pessoal. Assim é o meu trabalho.

 

Espero-te bem,

João

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