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O ELEMENTO FOGO E O TEU FOGO INTERIOR

By Outubro 30, 2017 No Comments

Todo o Universo e toda a existência Nele contida deve-se à constante mistura e interação entre cinco elementos: éter, ar, fogo, água e terra. Para compreendermos a vida dentro e fora de nós e todos os movimentos que nela existem necessitamos de aprofundar o nosso conhecimento em cada um destes elementos e na simbiose que criam entre si.

Há mais de 300.000 anos que a nossa espécie em evolução usufrui e maneja o Fogo de forma intencional para se proteger, aquecer, iluminar, cozinhar, moldar e criar e isso foi proporcionando mudanças radicais no nosso estilo de vida, na nossa alimentação e no nosso contacto com a escuridão. Desde então vários filósofos, médicos, xamãs, curandeiros, sacerdotes e alquimistas têm vindo a estudar este elemento com uma atenção especial.

O Fogo possui três de cinco atributos definidos para os Elementos (som, toque e forma) e a figura geométrica que o representa é o Tetraedro. É o responsável pela Transformação e Transmutação de tudo o que existe e podemos associá-lo a várias qualidades como brilho, clareza, sensualidade, ação, movimento, sexualidade, calor, prazer, secura, luminosidade do espírito, vitalidade, crescimento e expansão.

Os sábios da antiguidade sabiam que o fogo aparecia para transmutar o velho e transformar a realidade e a matéria. Na natureza restavam cinzas que adubavam a terra, aparecia uma nova fauna e flora adequada à nova frequência da região e, com isso, novas medicinas, novas experiências e novos ciclos apareciam.

Nas estações do ano, após o movimento frio (Yin) do Inverno, o calor (Yang) começa lentamente a aparecer no início da Primavera (Yang Menor) até à sua exuberância no Verão (Yang Maior), voltando a declinar enquanto chega o Outono (Yin Menor) até à super abundância do Frio no Inverno (Yin Maior). Este é um ciclo completo durante um ano e por isso se percebem as datas dos Solstícios que se foram comemorando tradição após tradição. O Solstício de Verão é a data do dia mais comprido do ano onde o Yang está no seu expoente máximo enquanto o Solstício de Inverno é o dia mais curto do ano onde o Yin está no seu apogeu. Em qualquer uma destas datas marcantes o seu oposto começa a nascer e a frequência de toda a realidade começa a alterar-se, avizinhando-se experiências diferentes.

É importante ampliarmos o nosso conceito de fogo para que possamos compreender um pouco mais da realidade que nos envolve. Sem Fogo/Yang (calor, vitalidade, movimento, transformação, transmutação, expansão) a vida torna-se fria, pesada, inerte, estagnada e morre; sem Yin (Frio, tranquilidade, quietude, declínio e recolhimento) o Yang agita a ponto de queimar e destruir, aparece a secura, nada floresce e tudo morre.

Qual o papel do Fogo no Ser Humano?

 

No Ser Humano podemos analisar o fogo de várias formas e com diferentes graus de profundidade. Quando o fogo declina em alguém, essa pessoa torna-se asténica e sem vitalidade, calma, apagada, sem brilho, depressiva e fria; a sua mente deixa de ser ágil gerando confusão mental, predominando a falta de interesse em si, nas coisas e nos outros; a tristeza e o medo tornam-se os estados emocionais mais comuns; o seu corpo tende a inchar por retenção de comidas e bebidas, a digestão torna-se lenta, a pele fica pálida, o cabelo e o pêlo perdem força, a visão fica fraca, a audição, olfato e paladar começam a ficar fracos; o discurso torna-se lento e incoerente e, por vezes, custa completar frases ou expressar o que se quer; a pessoa torna-se cansada, o frio aparece nas extremidades (mãos e pés), aparecem dores e todas as funções do corpo começam lentamente a falhar, pois necessitam do fogo (Yang) para funcionar, para gerar movimento.

Quando o fogo se torna exacerbado em alguém, essa pessoa torna-se agitada, ansiosa, intensa e sem brilho porque o fogo queima os líquidos e aparece a secura, sendo impossível a nutrição e o humedecer dos tecidos; a sua temperatura corporal aumenta e a mente não consegue discernir, podendo levar a momentos de loucura ou até de alucinações; a euforia (histerismo) e a raiva tornam-se os estados emocionais mais comuns e a falta de paciência e a irritabilidade tornam-se parte do dia-a-dia; o seu corpo tende a emagrecer, a digestão torna-se rápida, a pele torna-se seca e fica avermelhada ou escura, o cabelo e o pêlo secam e começam a cair, a visão, audição, olfato e paladar perdem as suas capacidades por falta de nutrição; o discurso torna-se rápido e, por vezes, incoerente; a transpiração é constante mesmo sem exercício físico, o odor corporal fica intenso; todas as funções do corpo começam lentamente a falhar pois necessitam de líquidos (Yin) para humedecer, refrescar e nutrir.

 

Como na natureza, o ser humano necessita de equilíbrio entre Yin e Yang (o fogo e a água) para que as suas funções orgânicas, mentais, emocionais e espirituais permaneçam no seu correto funcionamento.

Podemos associar o ciclo da nossa vida com as estações do ano: quando a criança nasce, o fogo deve ser forte para desenvolver tanto o corpo físico como os corpos mental, emocional e espiritual e associamos esta fase até a adolescência com a Primavera (a semente faz um esforço tremendo para sair da terra e para crescer rapidamente em segurança em busca de luz solar); desde o fim da adolescência até à fase adulta aparece o desenvolvimento de todas as nossas faculdades chegando ao ponto “mais alto” da expansão do fogo e associamos essa fase ao Verão; a partir dessa fase, o declínio aparece lentamente e começamos a largar aquilo que deixa de ser importante na nossa vida e associamos essa fase ao Outono; na fase final da vida o fogo esgota-se e a pessoa morre e associamos isto ao Inverno. Este é o ciclo normal do fogo durante uma vida no ser humano.

Se o fogo for excessivo esgotará com rapidez (a vida tornar-se-á mais curta) e se o fogo for insuficiente algumas fases da vida não serão aproveitadas de forma plena; se o fogo for excessivo dificilmente existirá raiz ou consistência para uma vivência profunda e se o fogo for escasso dificilmente conseguimos desfrutar desta experiência.

À parte de uma alimentação regrada, exercício físico adequado, sono regulado, relações familiares e sociais harmonizadas e objetivos de vida benéficos para nós, para os outros e para o planeta em si, é importante sermos nós próprios sem que nos anulemos face a qualquer pessoa ou situação pois isso fará com que o fogo se mantenha vivo e ativo em nós. Ligarmos-nos à natureza, aos outros e ao nosso interior dar-nos-á as raízes e o ancoramento necessários para que o fogo não assuma o controlo da nossa vida.

Para alcançarmos a harmonia na nossa vida, nos sentirmos realizados e sermos felizes, necessitamos de um equilíbrio entre o Fogo e a Água.

Qual destes elementos necessitas de nutrir na tua vida?

 

 

Espero-te bem,
João (Bhumi Portugal)

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